Até ao castelo
Mesmo que eu não quisesse dar importância às palavras que aquela cativante figura proferiu o que é certo é que elas entranharam tão fundo no meu ser que constantemente perseguiam os meus pensamentos. Por isso fugir do propósito de explorar o mapa estava fora das minhas intenções.
Segui o caminho trilhado para compreender melhor as palavras proferidas. Na procura desse entendimento avancei numa jornada até alcançar a vista sobre as ruínas deste nobre castelo.
Cavalgando por entre florestas, afloramentos de rochas calcárias e por um relevo agreste atingi uma pequena elevação que permite avistar todo um mundo que no meio tem um grandioso castelo plantado no alto que um enorme monte. Tinha que o alcançar antes da noite cair, e já era tarde. O Sol já ganhara os contornos avermelhados enchamejando as nuvens do céu.

Com o castelo em vista segui caminho sem preocupação pelos obstáculos que me feriam a mim e ao cavalo. Eram ramadas que me açoitavam, era o mato que nos feria, eram as rochas que infligiam golpes ao cavalo e dificultavam todo este penoso caminho. Contudo consegui chegar o castelo.
Fiquei pasmado. O castelo, apesar de arruinado, era belo. Suas paredes emanavam o encanto de histórias fantásticas, com defesas e conquistas, lágrimas e sangue, festas e comemorações…
Desejei entrar castelo adentro. Contudo, apesar de arruinado, as portas estavam trancadas. Sabia que era habitado por uma princesa. Da minha alma surgiu um nome que a minha voz prenunciou num brado feito com todos os pulmões:
- BECAS!!!!!!
Espero em desespero. Era quase noite e estava cansado. A porta não se movia. Pensei:
- Terei de gritar muito mais!!!
Encho meus pulmões para outro brado quando se abrem as portas do castelo mágico, rangendo numa cadência regular. Abertas as portas, emoldurada pelo arco gótico, surge o encanto da imagem da princesa Becas. Eu estava atónico com a aparição. E ela também se mostrou surpresa com minha presença.
Com cortesia saudei-a e ela agradeceu imenso. Não acreditou que eu seguisse o trilho que as suas palavras me encorajaram a efectuar, justificando, de seguida, porque seu castelo estava selado:
- As portas do meu castelo permanecem fechadas devido ao medo que eu tenho que alguém entre para o reconstruir. – E convidou-me a entrar para uma visita guiada. - És bem vindo ao meu castelo. Mas tem cuidado com as muralhas pois elas, às vezes, ultrapassam até o próprio castelo.
Sem perceber bem o que me queria dizer, nem ainda compreender porque se cruzara comigo soltando as palavras que continuavam incandescentes dentro de meu pensamento, senti-me lisonjeado pelo convite:
- O teu convite é irrecusável, ainda mais vindo de uma princesa. Aceito essa visita guiada ao encanto de tão distintas ruínas.
E entrei.







